Durga

Ilustração e animação por incalma (inspiradas por desenho anónimo do séc. XVIII).

Grande Mãe, carrega em si um caráter profundamente maternal, mas também uma força imensa. É uma das manifestações da Śakti, a força, a potência divina que se manifesta e dá movimento à vida.

Como muitos já sabem, os deuses têm os seus próprios veículos (animais). O de Durgā é geralmente o leão, embora apareça também sobre um tigre. Muda de veículo dependendo da batalha. Esperta!

Durgā representa uma parte de nós que tem a capacidade de dar um passo atrás, de parar, observar, mas sem fugir. De encontrar dentro de nós a força necessária para agir sem sermos arrastados por aquilo que estamos a sentir. Deusa com inteligência emocional!

Durgā é aquela que luta, mas não luta a partir do ódio.

Ela luta pelo que acredita e pelo restabelecimento do Dharma, mantendo-se centrada no que é amor, paz e harmonia.

No Devī Māhātmya, também chamado Durgā Saptashatī, os “700 versos à Grande Deusa”, que faz parte do Mārkaṇḍeya Purāṇa, encontramos a história de Durgā e da sua batalha contra Mahiṣāsura, o demónio-búfalo.

Mahiṣāsura representa uma força que assume diferentes formas, difícil de dominar, e ninguém consegue vencê-lo. Durgā consegue.

A história pode ser lida também como um trabalho profundamente interno: o demónio é aquilo que acontece quando deixamos que o ego, a raiva, a arrogância ou a ignorância assumam o comando. Durgā é a força que existe dentro de nós para enfrentar aquilo que nos desequilibra e nos domina.

Uma bela metáfora da nossa própria batalha interior.

Então, lutar pelo que acreditamos, pelo que é justo, pelo que queremos proteger, sem perder a presença, sem perder o centro, sem nos esquecermos daquilo que estamos, no fundo, a tentar preservar: amor, paz e harmonia.