
Era uma vez um ser tão antigo e sábio que todos o chamavam de Shiva, o criador do Yoga. Vou contar-vos como foi:
Shiva é uma das divindades mais importantes do hinduísmo e faz parte da grande trindade divina: Brahma, o Criador, Vishnu, o Preservador, e Shiva, o Renovador. Embora seja chamado de “Destruidor”, prefiro vê-lo como aquele que transforma o velho em algo novo e vibrante.
Agora, como é que Shiva inventou o Yoga? Imaginem-no no alto das montanhas do Himalaia, a meditar em profundo silêncio, sob o céu estrelado. Ele estava num estado de pura consciência, a energia do universo a fluir através dele, tornando-se assim o Adiyogi, o primeiro yogi. Ao compreender os segredos da existência, soube como os humanos podiam encontrar paz e sabedoria através do Yoga.
Diz a lenda que sete sábios, os Saptarishis, observaram Shiva durante anos. Impressionado com a sua devoção, ele ensinou-lhes 112 formas de alcançar a autorrealização. Eles espalharam esse conhecimento pelo mundo, dando início à prática do Yoga.
Shiva é a energia que dá vida a tudo. O seu nome revela esta essência:
Sha é o corpo,
Ee é a energia da vida,
Va é o movimento.
Sem esta energia, o corpo torna-se “Shava”, ou seja, um corpo sem vida. E é por isso que ouvimos falar de Savasana, a postura do corpo imóvel.
Aqui na animação, Shiva Nataraja, o Senhor da Dança Cósmica, dança num círculo de chamas, cada movimento representando o ciclo de criação, preservação e transformação. Ele segura o damaru, o tambor da criação, e o fogo da destruição, enquanto um pé esmaga Apasmara, o demónio da ignorância, e o outro mostra-nos o caminho para a libertação espiritual.
Assim, Shiva não é apenas feroz como Rudra, mas também bondoso como Bholenath, o Senhor Inocente. Ele é uma dança de opostos: força e gentileza, fogo e água. Ensina-nos que a vida é feita de equilíbrio e transformação.
E foi assim que o Yoga nasceu – para que, mesmo nas tempestades, pudéssemos encontrar paz, força e alegria.
Silvia
